Ultraformer MPT: o que é, como funciona e para quem é indicado

Close no rosto de uma mulher com flacidez e linhas ao redor dos olhos, o quadro em que o Ultraformer MPT é indicado
A flacidez começa na sustentação da pele, não na superfície. É por isso que creme não alcança o problema.

O Ultraformer MPT é um aparelho de ultrassom microfocado que trata flacidez de rosto, pescoço e corpo sem corte, sem agulha e sem afastamento da rotina. Ele entrega energia em profundidades específicas da pele e provoca uma resposta de reconstrução do colágeno.

Essa é a resposta curta. Porém ela deixa de fora o que realmente importa na hora de decidir, ou seja, até onde a tecnologia vai e quando ela não é o caminho.

Portanto este texto explica o mecanismo, mostra os números que a literatura científica registrou, lista as contraindicações e diz para quem o Ultraformer MPT costuma valer a pena. Sem promessa de milagre.

O que é o Ultraformer MPT

O Ultraformer MPT é um equipamento de ultrassom microfocado, categoria conhecida na literatura pela sigla em inglês HIFU, de high-intensity focused ultrasound. Ele foi desenvolvido pela fabricante coreana Classys e é a geração mais recente da linha Ultraformer.

A lógica dele lembra a de uma lupa. Assim como a lente concentra a luz do sol em um ponto minúsculo capaz de queimar uma folha, o transdutor concentra ondas de ultrassom em um ponto microscópico dentro da pele. Nesse ponto, a temperatura sobe rápido, entre 60 e 70 graus, e o tecido sofre uma lesão térmica controlada.

Essa lesão é intencional. Afinal, é ela que aciona o processo de reparo do próprio organismo.

O Ultraformer MPT não estica a pele. Ele obriga o seu corpo a fabricar sustentação nova, do lado de dentro.

A pele por cima permanece intacta, porque a energia atravessa a superfície sem se concentrar nela. Por isso não existe ferida, curativo ou cicatriz depois da sessão.

Como o Ultraformer MPT age em cada camada da pele

O diferencial do ultrassom microfocado está na profundidade. Cada transdutor entrega energia em uma distância fixa da superfície, e essa distância define qual estrutura será atingida.

Profundidades de atuação do Ultraformer MPT na pele Corte da pele mostrando epiderme, derme, gordura subcutânea, SMAS e músculo. Três transdutores depositam energia a 2,0 milímetros na derme, a 3,0 milímetros na transição para o subcutâneo e a 4,5 milímetros no SMAS, a camada que sustenta o rosto. Onde o Ultraformer MPT deposita a energia 2,0 mm3,0 mm4,5 mm Epiderme Derme onde nasce o colágeno novo Gordura subcutânea SMAS a camada que sustenta o rosto Músculo Cada transdutor trabalha em uma profundidade fixa. O protocolo combina mais de um na mesma sessão,porque flacidez raramente vem de uma camada só.
As três profundidades faciais mais usadas. Existe ainda o transdutor de 6,0 mm, reservado para áreas corporais.

A camada de 4,5 mm é a mais relevante para quem busca efeito de lifting. Ali fica o SMAS, sigla para sistema músculo-aponeurótico superficial, que é a estrutura de sustentação puxada durante uma cirurgia de lifting facial. O Ultraformer MPT alcança essa camada sem abrir a pele.

Já a profundidade de 2,0 mm trabalha a derme e responde por textura, poros e linhas finas. A de 3,0 mm fica no meio do caminho e ajuda no contorno.

Uma análise histológica publicada em fevereiro de 2025 no Journal of Cosmetic Dermatology, conduzida por Hwang e colaboradores especificamente com o Ultraformer MPT, examinou o tecido tratado nessas quatro profundidades. Os pesquisadores encontraram aumento de colágeno tipo I e tipo III, aumento de fibras elásticas e redução de gordura nas camadas mais profundas.

O que a sigla MPT significa na prática

MPT quer dizer Micro Pulsed Technology. Em resumo, é um modo de disparo que fraciona a entrega de energia em micropulsos, em vez de depositar tudo em um pulso único e contínuo.

Duas consequências saem daí. Primeiro, o desconforto tende a ser menor, porque o calor se distribui de forma mais gradual. Segundo, o tempo de aplicação cai, o que torna a sessão mais curta.

Esse modo de disparo é o que separa o Ultraformer MPT das versões anteriores da linha. No entanto, vale registrar que a evidência científica robusta ainda se concentra na tecnologia de ultrassom microfocado como categoria, não em comparações diretas entre marcas e modelos.

O que o Ultraformer MPT trata

As indicações mais frequentes envolvem sinais de perda de sustentação, e não manchas ou volume.

  • Flacidez do terço inferior do rosto, com contorno da mandíbula perdendo definição
  • Papada, sobretudo quando existe flacidez associada ao acúmulo de gordura
  • Pescoço com pele frouxa e linhas horizontais
  • Sulco nasolabial, o chamado bigode chinês, quando ele vem da queda do terço médio
  • Região dos olhos, incluindo pálpebra caída e pés de galinha
  • Textura e poros dilatados, pela ação na derme
  • Flacidez corporal em braços, abdômen, culote e face interna das coxas

Em contrapartida, existem coisas que o Ultraformer MPT não faz, e conhecê-las evita frustração.

Ele não repõe volume perdido, porque isso é trabalho de preenchedores ou bioestimuladores. Também não trata mancha, melasma ou vermelhidão, que pedem outras tecnologias. Além disso, não substitui uma cirurgia quando a flacidez já é acentuada e sobra pele de verdade.

Flacidez leve a moderada responde bem. Flacidez avançada decepciona, e nesse caso o honesto é dizer antes, não depois.

Resultados: o que a evidência científica mostra

Aqui entram números reais, medidos em estudo, e não impressões de anúncio.

Um estudo publicado em outubro de 2024 na revista Plastic and Reconstructive Surgery Global Open, assinado por Kim e colaboradores, acompanhou 50 pacientes tratados com o Ultraformer MPT. Os pesquisadores usaram escaneamento tridimensional para medir, em milímetros, o quanto cada região do rosto subiu.

Elevação em milímetros por região do rosto após sessão de Ultraformer MPT Gráfico de barras. Pescoço 3,53 milímetros; bochecha posterior 3,40; mandíbula 3,09; contorno da mandíbula 2,90; região malar 2,46; pés de galinha 2,25; testa 1,24. Medição por escaneamento tridimensional em 50 pacientes. Quanto cada região subiu, em milímetros Pescoço Bochecha posterior Mandíbula Contorno mandibular Região malar Pés de galinha Testa 3,53 3,40 3,09 2,90 2,46 2,25 1,24 01 mm2 mm3 mm4 mm Kim e colaboradores, Plastic and Reconstructive Surgery Global Open, outubro de 2024. 50 pacientes, medição por escâner 3D.
Os ganhos aparecem em milímetros, e ainda assim mudam a leitura do rosto. Regiões de tecido mais espesso, como pescoço e bochecha, respondem mais que a testa.

Repare na ordem de grandeza. Estamos falando de 1 a 3,5 milímetros, ou seja, de um ajuste sutil, e não de uma transformação. Ainda assim, é justamente essa faixa que devolve definição ao contorno do rosto.

Já uma revisão sistemática publicada em janeiro de 2023 no International Journal of Environmental Research and Public Health, conduzida por Contini e colaboradores, reuniu 16 estudos elegíveis entre 693 avaliados. Noventa dias após uma única sessão, 92% dos pacientes apresentaram melhora no firmamento da pele ou na redução de rugas, segundo avaliação dos investigadores.

Contudo, a mesma revisão traz o contraponto honesto. Quando quem avaliou foi o próprio paciente, a percepção de melhora ficou em 42% aos 90 dias, subindo para 53% aos 360 dias. Ou seja, o profissional enxerga mais mudança do que o paciente sente.

Essa revisão também aponta duas condições que reduzem a chance de bom resultado, e ambas são importantes: flacidez excessiva e índice de massa corporal acima de 30.

Para quem o Ultraformer MPT costuma ser indicado

O perfil que mais se beneficia tem entre 35 e 60 anos, apresenta flacidez leve a moderada e ainda mantém alguma elasticidade na pele.

Mulher madura de olhos fechados durante avaliação facial para tratamento com Ultraformer MPT
A avaliação presencial define profundidade, número de disparos e regiões. Não existe protocolo igual para dois rostos.

Quem começa mais cedo, por volta dos 30 anos, costuma usar a tecnologia com objetivo preventivo, mantendo a qualidade do colágeno antes que a queda se instale. Por outro lado, quem já passou dos 65 anos com flacidez acentuada tende a obter resposta limitada, e nesses casos a conversa precisa incluir a avaliação cirúrgica.

Peso também entra na conta. Como mostrou o estudo de Oni e colaboradores, publicado em setembro de 2014 no Aesthetic Surgery Journal com 103 participantes, nenhuma alteração foi detectada em 54,5% dos pacientes com IMC acima de 30, contra apenas 12,2% entre os que tinham IMC igual ou abaixo de 30.

Contraindicações e cuidados

Nenhum procedimento estético é indicado para todo mundo, e o Ultraformer MPT não foge à regra.

  • Gravidez e amamentação
  • Infecção, ferida aberta, lesão ativa ou dermatite na área a ser tratada
  • Acne inflamatória em atividade no local
  • Marca-passo, desfibrilador ou outro dispositivo eletrônico implantado
  • Preenchedores ou fios de sustentação recentes na região, porque o calor pode interferir no material
  • Doença autoimune em atividade e distúrbios de cicatrização, como queloide
  • Uso recente de isotretinoína, que pede intervalo antes do procedimento
  • Flacidez muito acentuada com sobra evidente de pele, situação em que a resposta é insuficiente

Quanto aos efeitos esperados, a maioria é passageira. Vermelhidão, inchaço leve e sensibilidade ao toque aparecem logo depois e costumam ceder em poucos dias.

Eventos adversos mais incômodos existem, embora sejam raros. Na revisão de 2023 citada acima, eles somaram cerca de 2% e incluíram alteração de sensibilidade, hematoma e, em casos isolados, queimadura na região mandibular. Vale destacar que a técnica de aplicação pesa aqui, e é por isso que o profissional que opera o aparelho importa tanto quanto o aparelho.

Sobre segurança em peles mais pigmentadas, um ponto relevante no Rio de Janeiro, um estudo publicado em 2015 no JAMA Facial Plastic Surgery, por Harris e colaboradores, avaliou 52 adultos com fototipos de Fitzpatrick III a VI. Foram registrados três eventos adversos, todos resolvidos em até 90 dias e sem sequela.

Como é a sessão de Ultraformer MPT

A sessão começa longe do aparelho. Primeiro vem a avaliação, quando se define o grau de flacidez, as regiões a tratar, as profundidades e a quantidade de disparos.

Depois disso, a pele é higienizada e marcada. Aplica-se então o gel condutor, e o transdutor percorre a área marcada disparando os micropulsos. Você sente calor pontual e um leve formigamento, com intensidade variável conforme a região, sendo que áreas sobre osso costumam incomodar mais.

O tempo total depende da extensão tratada. Uma face inteira leva, em geral, entre 40 e 60 minutos.

Por fim, você vai embora e retoma a rotina no mesmo dia. Não há repouso, curativo ou afastamento do trabalho, apenas orientações simples de fotoproteção e hidratação.

Quando o resultado do Ultraformer MPT aparece

Existe um efeito imediato, causado pela contração das fibras de colágeno já existentes. Ele é discreto e some em alguns dias, o que assusta quem não foi avisado.

O resultado que interessa vem depois, à medida que o organismo produz colágeno novo.

  • Primeiros dias: efeito imediato sutil, com possível vermelhidão e inchaço leve
  • 4 a 6 semanas: início perceptível da melhora na firmeza
  • 3 meses: pico do resultado na maioria das pessoas, que é também o ponto de avaliação clássico dos estudos

A observação de Kerscher e colaboradores, publicada em 2019 na Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, ajuda a entender esse ritmo. Medindo a elasticidade da pele após uma única sessão, os autores registraram queda dos valores na quarta semana, seguida de aumento significativo na semana 12 e novamente na semana 24. Em outras palavras, a pele passa por uma fase de remodelação antes de melhorar.

Quanto à duração, a literatura descreve manutenção do efeito por cerca de um ano. Vale lembrar, no entanto, que o envelhecimento continua acontecendo, então manutenção periódica costuma fazer parte do plano.

Ultraformer MPT, radiofrequência ou lifting cirúrgico?

São respostas diferentes para problemas de intensidade diferente, e confundi-las é a origem da maioria das expectativas frustradas.

A radiofrequência aquece a derme de forma difusa e trabalha bem textura e flacidez muito leve, mas não alcança o SMAS. O Ultraformer MPT alcança, e por isso produz efeito de sustentação que a radiofrequência não entrega. Já o lifting cirúrgico remove pele excedente e reposiciona tecido, algo que nenhuma tecnologia sem corte reproduz.

A escolha, portanto, segue o grau de flacidez, e não a preferência por uma tecnologia. Se você está pesquisando alternativas ao procedimento cirúrgico, o texto sobre como escolher entre os aparelhos de ultrassom microfocado aprofunda essa comparação.

Perguntas frequentes sobre o Ultraformer MPT

O Ultraformer MPT dói?

Há desconforto durante os disparos, descrito como calor pontual e picadas rápidas. O modo de micropulsos foi desenvolvido justamente para suavizar essa sensação. Nos estudos com a tecnologia anterior, a dor média ficou em torno de 6 numa escala de 0 a 10, com variação grande entre regiões. Áreas sobre osso, como mandíbula e testa, costumam incomodar mais.

Quantas sessões de Ultraformer MPT são necessárias?

A maior parte dos estudos avalia o resultado de uma única sessão. Na prática clínica, muitos protocolos indicam uma aplicação por ano, e alguns casos pedem uma segunda no mesmo ciclo. Somente a avaliação presencial define isso, porque depende do grau de flacidez e da resposta individual.

O Ultraformer MPT emagrece?

Não. Ele atua na sustentação da pele e, em profundidades maiores, reduz gordura de forma localizada em áreas específicas. Perda de peso, porém, depende de acompanhamento metabólico e mudança de hábito, como acontece no protocolo Neo Slim.

Posso fazer Ultraformer MPT com preenchimento no rosto?

Depende do material, da quantidade e de quando foi aplicado. O calor pode interferir em alguns preenchedores, então essa informação precisa aparecer na avaliação. Nunca omita procedimentos anteriores, mesmo os antigos.

Qual a diferença entre Ultraformer MPT e Ultraformer III?

A base tecnológica é a mesma, isto é, ultrassom microfocado. O MPT acrescenta o modo de micropulsos, que fraciona a entrega de energia, tende a reduzir o desconforto e encurta o tempo de aplicação. Além disso, ele amplia as opções de transdutores.

O Ultraformer MPT serve para o corpo?

Sim. Braços, abdômen, culote, face interna das coxas e região glútea são áreas tratadas, geralmente com o transdutor de 6,0 mm. O foco principal é firmeza, mas, dependendo da quantidade de gordura, também conseguimos tratar a gordura localizada dessas áreas com o Ultraformer. A avaliação define o que faz sentido no seu caso.

Quando posso voltar à academia?

Em geral no dia seguinte, desde que não haja desconforto importante. Ainda assim, siga a orientação dada na sua sessão, porque ela considera a área tratada e a intensidade aplicada.

O que levar desta leitura

O Ultraformer MPT resolve um problema específico, que é a perda de sustentação da pele em grau leve a moderado. Dentro desse limite, a evidência científica sustenta o uso, e os ganhos, ainda que medidos em milímetros, mudam a leitura do rosto.

Fora desse limite, ele decepciona. Por isso a avaliação presencial vale mais do que qualquer texto, inclusive este.

Unidades Tijuca e Laranjeiras

Descubra se o Ultraformer MPT é indicado para o seu caso

Na avaliação presencial, analisamos o grau de flacidez, a qualidade da sua pele e o seu objetivo antes de indicar qualquer tecnologia.

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Flávia Agnes
Responsável técnica da Clínica Lifecare
Atua com estética avançada e regenerativa no Rio de Janeiro, à frente das unidades da Tijuca e de Laranjeiras.

Aviso importante. Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou acompanhamento profissional. Os resultados de qualquer procedimento estético variam de pessoa para pessoa, conforme as características e a resposta individual de cada uma. A indicação de tratamento depende de avaliação presencial. Procure a equipe da Lifecare para orientação sobre o seu caso.

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